Perseguida por Satanás, libertada por Maria
Madre Jane percorre sua infância, a formação de sua visão de mundo, os caminhos espirituais que tomou, o sofrimento vivido e o momento em que sua busca começa a voltar-se novamente para Deus.
Cofundadora do Instituto Hesed
Cofundadora do Instituto Hesed ao lado de Madre Kelly Patrícia, Madre Jane Madeleine traz em sua própria história uma experiência profunda da Misericórdia de Deus.
Sua trajetória atravessa busca, sofrimento, conversão, oração e entrega — até encontrar em Cristo aquilo que procurava sem ainda saber nomear. Essa experiência ajudaria também a dar forma à espiritualidade de uma obra chamada a experimentar, viver e cantar as Misericórdias do Senhor.
Antes de tudo
A história de Jane Madeleine começou em uma família na qual fé e diferentes experiências religiosas conviviam lado a lado.
Entre suas primeiras referências católicas estava a avó Antônia Madalena, mulher de oração e piedade. Foi com ela que Jane conservou algumas das primeiras memórias ligadas ao Menino Jesus, a Nossa Senhora e à vida da Igreja.
Ainda criança, aprendeu a ler a Sagrada Escritura e guardou dentro de si um desejo que só compreenderia plenamente muitos anos depois: pertencer ao povo de Deus.
Uma busca por liberdade
Jane cresceu com grande curiosidade intelectual e uma forte sede de conhecimento. Ainda muito jovem, interessou-se por psicologia, sociologia e outras áreas do conhecimento, enquanto formulava para si um ideal de independência e liberdade.
Ao mesmo tempo, começou a aproximar-se de práticas espiritualistas e ocultistas. Aquilo que inicialmente lhe parecia conhecimento ou descoberta foi sendo acompanhado por experiências que ela própria, depois de sua conversão, passaria a compreender como espiritualmente destrutivas.
Os anos seguintes reuniram conquistas profissionais, relacionamentos, inquietação interior, medo e um sofrimento cada vez mais profundo.
A liberdade que buscara não havia produzido paz. E a ideia que possuía de Deus continuava sendo a de um Criador distante, que existia, mas não se interessava concretamente por sua vida.
O ponto de virada
Ela narra ter ouvido uma palavra que atingiu precisamente a imagem que carregava de Deus — a de alguém distante e indiferente ao sofrimento humano:
“Na casa do meu Pai, nem um servo é tratado assim.”
Para Jane, a experiência continha uma descoberta maior do que a própria frase: Deus conhecia seu interior. Conhecia sua dor. E se importava.
“Deus se incomodou com minha vida.”
Conversão
A partir dali, Jane decidiu procurar aquilo que havia entendido como a “casa do Pai”.
Começou a participar de um grupo de oração. Aos poucos, a oração, a Palavra de Deus e a vida sacramental deixaram de pertencer apenas à religião que conhecera na infância e passaram a ser experimentadas como encontro.
Ela conta que, ao ler o Evangelho, começou a descobrir um amor novo pela Palavra. Também compreendeu que Deus não apenas lhe mostrava aquilo que precisava mudar: queria acolhê-la e cuidar dela.
Não era apenas um Deus que mostrava a verdade. Era um Deus que acolhia.

Um novo centro
A transformação não aconteceu de uma só vez.
A leitura da Sagrada Escritura foi despertando nela amor pela Palavra. A Santa Missa passou de algo distante a um lugar desejado de encontro com Deus. E, conduzida também pela devoção mariana, Jane começou a descobrir a adoração ao Santíssimo Sacramento.
Aquilo que mais tarde estaria no centro da vida do Instituto — Palavra, Eucaristia, adoração e intimidade com Deus — começava primeiro a tomar forma em sua própria história.
Nossa Senhora
Nossa Senhora atravessa todo o testemunho de Madre Jane.
Desde as primeiras lembranças da infância até os momentos decisivos de sua conversão, Jane a descreve como presença materna, guia e intercessora — aquela que a conduzia à oração, à Eucaristia, à adoração e a uma mudança concreta de vida.
Em determinado momento, ao contemplar uma imagem de Nossa Senhora, Jane percebeu nela algo que desejava para si: paz, sabedoria, inteireza. Mais tarde resumiria aquele movimento interior de modo muito simples:
“Eu desejava Deus e não sabia.”

A Paixão de Cristo

Ao aprofundar sua relação com Jesus, Jane começou também a contemplar de maneira muito pessoal a Paixão de Cristo.
Em seu testemunho, ela descreve esse período como um confronto com a verdade sobre a própria vida, mas não como uma experiência de condenação. Quanto mais percebia suas quedas, mais começava a compreender a dimensão do amor de Cristo.
A Cruz passou a revelar aquilo que antes não conseguira enxergar: Deus não permanecera distante do sofrimento humano. Ele havia entrado nele.
Antes do encontro das fundadoras
Durante esse caminho de conversão, Jane ouviu uma canção que lhe pareceu traduzir aquilo que estava vivendo com Jesus.
A música era Prisioneiro do Amor.
Ao perguntar quem estava por trás daquele canto, recebeu dois nomes que se tornariam profundamente ligados à sua história: a letra vinha de Santa Teresinha do Menino Jesus; quem cantava era Kelly Patrícia.
No testemunho, Jane recorda sua reação e conclui que precisava conhecer as duas.
Antes mesmo de se encontrarem pessoalmente, a música já havia criado uma ponte entre duas histórias que, pouco depois, começariam a caminhar juntas.
Peregrinação mariana · 1996
Jane Madeleine já procurava uma oportunidade de conhecer Kelly Patrícia quando descobriu que ambas participariam da mesma peregrinação a santuários marianos da Europa.
No dia da viagem, as duas chegaram atrasadas.
Os lugares disponíveis fizeram com que se sentassem uma ao lado da outra no avião.
Durante a viagem, começaram a conversar. O que surgiu foi uma profunda identificação espiritual entre duas mulheres de histórias e personalidades muito diferentes.
Jane Madeleine
Jane trazia experiências espirituais que ainda procurava compreender.
Kelly Patrícia
Kelly trazia uma formação marcada pela tradição carmelitana e pelo conhecimento da vida dos santos.
A amizade que começou naquela peregrinação continuaria no Brasil em oração e discernimento.
Uma inspiração que ganha palavras
Em seu testemunho, Madre Jane conta que, durante a peregrinação a Medjugorje, recebeu a indicação de procurar uma resposta no Diário de Santa Faustina quando regressasse ao Brasil.
Ao abrir o livro, encontrou uma passagem sobre uma nova congregação formada por almas oferecidas a Deus e chamadas a implorar Misericórdia para o mundo.
Aquela passagem passou a iluminar aquilo que Jane e Kelly já vinham discernindo na oração.
DEZ 1996 — NOV 1997
De volta ao Brasil, Jane Madeleine e Kelly Patrícia passaram a rezar, jejuar, fazer vigílias e discernir juntas aquilo que Deus lhes pedia.
As experiências de cada uma começaram a revelar uma complementaridade concreta.
Kelly trazia uma experiência de vida contemplativa e já havia escrito elementos de um modo de vida pessoal. Jane reconhecia, em sua própria história e no caminho espiritual que percorrera, aspectos de uma obra voltada à Misericórdia, à oração e à entrega.
Durante aqueles meses, a inspiração foi sendo confirmada e amadurecida.
Fundação · Fortaleza

Em 30 de novembro de 1997, Madre Kelly Patrícia e Madre Jane Madeleine fundam, em Fortaleza, o Instituto Hesed.
Aquilo que havia começado como duas trajetórias distintas, unidas pela oração e pelo discernimento, passa a tomar forma concreta numa vida inteiramente oferecida a Deus.
JAN 1998
Em janeiro de 1998, no primeiro retiro depois da fundação, a nova família religiosa recebeu o nome que a identificaria: Hesed.
Para a história de Madre Jane, esse nome possuía uma ressonância profundamente concreta.
A Misericórdia não era apenas algo que ela deveria anunciar. Era aquilo que reconhecia ter recebido.

Uma vida oferecida
A história de Madre Jane não termina na conversão.
O encontro com a Misericórdia se transforma em resposta: oração, intercessão, entrega, amor à Igreja e desejo de que outras pessoas também encontrem aquilo que ela havia encontrado.
Essa passagem — da Misericórdia recebida para uma vida oferecida — ajuda a compreender dimensões fundamentais da espiritualidade do Instituto Hesed.
“Não existe realidade de pecado, nem de afastamento de Deus, que não possa ser ultrapassada pelo amor misericordioso.”
Testemunho
A história apresentada nesta página foi narrada publicamente pela própria Madre Jane Madeleine em dois testemunhos publicados pelo Instituto Hesed.
Neles, ela percorre com muito mais detalhes sua infância, seus caminhos de busca, o sofrimento, a conversão, a presença de Nossa Senhora, a descoberta da Palavra, da Eucaristia e da adoração, o encontro com Kelly Patrícia e os acontecimentos que antecederam a fundação do Instituto.
Madre Jane percorre sua infância, a formação de sua visão de mundo, os caminhos espirituais que tomou, o sofrimento vivido e o momento em que sua busca começa a voltar-se novamente para Deus.
O testemunho avança para a conversão, a descoberta da Palavra e da Eucaristia, a adoração, a ação de Nossa Senhora, o encontro com Kelly Patrícia e a peregrinação que precederia a fundação do Instituto Hesed.
Misericórdia
“A miséria encontrou o seu esposo, a Misericórdia.”
Ao contar sua história, Madre Jane não coloca no centro aquilo de que foi libertada.
Coloca no centro Aquele que a encontrou.
Sua vida se encontra com a história do Instituto exatamente nesse ponto: uma Misericórdia experimentada na própria existência, acolhida como vocação e transformada em oração, entrega e anúncio.
Experimentar. Viver.
Cantar as Misericórdias do Senhor.
Seu gesto de amor sustenta a oração, a formação, a evangelização e as obras de misericórdia do Instituto Hesed. Cada oração transmitida, cada formação realizada e cada vida alcançada existem também porque pessoas como você decidiram ajudar esta missão a continuar.
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